CONCLUSÕES de 2020 para a EDUCAÇÃO?

Em meados de março fomos interrompidos nas atividades presenciais e empurrados para incertezas e novas atribuições. Inclusive, em Abril nasceu a iniciativa da "Escola para Professores" com o objetivo de ajudar os colegas de forma singela na transição. Muito além disso, eu já buscava um caminho para começar a compartilhar conteúdo sobre a vida docente, seja por textos ou por vídeos. Mas 2020 não foi para amadores!

Entre maio e julho entrei em parafuso, pois o ensino remoto sempre bateu em pontos chave para a educação que julgo fundamentais. Escola está lá, além das aulas, pelo convívio entre pessoas diferentes, local com menos adultos onde os jovens descobrem a si próprios e até mesmo um local para a merenda, fundamental para combater a insegurança alimentar que sempre está presente em nossa pátria.

Há o ponto dos pais "respirarem" por saber que os filhos estão em segurança, em atividades produtivas e fora de casa. Sim, é importante ficar 5 ou 6 horas longe dos filhos, seja para conseguir trabalhar, ou até mesmo para repensar as atitudes e ser mais tolerante com os jovens que por vezes podem ser irritantes!

Mas, aí, nunca mais voltamos, então agora vou levantar algumas bolas do que eu achei útil e do que eu achei tolo durante esse período.

Retorno presencial sem transporte escolar. Alunos que não acompanham as atividades a distância poderiam ir para a escola, mas sem transporte escolar. Talvez na capital onde as escolas têm um raio "curto" e o aluno caminhando 2 ou 3 quilômetros consegue chegar ao local de estudo, "ok", mas ninguém penseou naquela criança que já caminha 6km em estrada de terra para chegar na pista onde passa o ônibus que a transportará mais 10km até a escola. Essa mesma criança não acessa as aulas online porque é desprovida de celulares ou computadores, quando os tem não tem internet e nem visinho para "cerrar" o wi-fi.

AUTODIDATISMO: sim, alguns conseguem entrar na internet e devorar alguns assuntos com bons tutoriais e aprender qualquer coisa. Acabei de passar por esse processo para colar um adesivo no aquário do meu peixe, incrível! Mas como temos uma base pedagógica mínima, sabemos que algumas pessoas precisam de uma atenção especial, não adianta mandar tarefas e não conseguir sentar junto e apontar onde o foco precisa estar. Esse aluno já é o que mais sofre em salas lotadas, nessa modalidade então, foi um massacre.

Recuperação intensiva do Estado de São Paulo: claro, em 15 dias de janeiro (sem transporte e com merenda seca, que, para quem não sabe, é biscoito de água e sal) todo o ano letivo que o aluno ficou sem conseguir ver nenhuma aula, será magicamente atualizado do mínimo que perdeu! HAHAHAHA que patifaria! e o pessoal achando que "pra inglês ver" era a lei Eusébio de Queiróz.

Atividades e recuperações. Eu concordo que "quem quer dá um jeito" mas as vezes é preciso um "despertar" para começar a querer. Isso é o que nós fazemos no chão da sala de aula, damos uns gritos, cambalhotas, teatralizamos o conteúdo para DESPERTAR a "QUERÊNCIA" nos alunos, sim, para QUEREREM alguma coisa, acharem interessante! Por whatsapp, além de invadir nossa privacidade, não conseguimos despertar ninguém. Quem já é motivado a estudar e tinha o básico (comida, eletrônicos e acesso) estudou, quem é mais ou menos ou menos, não teve nenhum estímulo. NENHUM.

Para ser menos idiota, procurei enviar atividades de leitura e exercícios do livro didático (nesse ano os alunos tinham pois acabou de chegar, daqui 4 anos já é impossível também). Lágrimas e mais lágrimas imaginando o aluno sem internet, com dislexias, sem um ambiente para leitura e sem conseguir apoio com os pais por diversos motivos. E nos 15 dias de janeiro é o mesmo aluno que não terá como ir pra escola, por tudo o que já foi descrito.

Esse ano ainda estamos em um impasse incrível, retornos parciais, volta-e-não-volta, criança é ou não é vetor de transmissão, professores do grupo de risco e todos os fantasmas do ano passado que ainda vão permanecer sabe-se lá até quando.

E aí, para você, quais os impactos de 2020 e quais as suas perspectivas para a educação em 2021?

Texto escrito pelo Profº Gustavo H. Leão de Mello

Comentários

  1. Voltar às aulas presenciais é de suma importância para todos nós, professores e alunos. Mas, se para o governo e para os pais, é imprescindível, por que nós professores não estamos no grupo prioritário pra vacinação?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Já começamos errados por aí, né?
      E outra coisa, vão dar prioridade para toda a equipe escolar com motoristas, merenda e mantendo os 14 dias de afastamento com suspeita, como será que pretendem controlar, né?

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

REPROVAÇÃO - TABU NÃO RESOLVIDO

Professor pode INVESTIR?

Você DOMINA sua Matéria?