Professor pode falar sobre dinheiro?

Vocês sabem que os professores abordam o tema de dinheiro normalmente quando vão falar que ganham mal, que pegaram um consignado ou sobre o preço da vaquinha para o café da sala dos professores, não é mesmo?


Certa vez fui convidado a refletir sobre esse assunto, falando sobre entrevistas de emprego. É absurdamente incomum falarem de salário para o professor? Para mim é! No geral eu esqueço desse "detalhe" por conta de ter feito muito voluntariado, mas uma vez eu "ousei" perguntar sobre a hora aula que a escola particular pagava. Perguntaram meu preço, eu retruquei perguntando se eles não tinham um salário padrão para os professores... Não me responderam, e perguntaram quanto eu gostaria. ARRISQUEI falando que R$25,00 a hora de aula. Me perguntaram, com espanto se eu não estaria disposto a diminuir o valor e eu disse que era um valor coerente.


Adivinhem? Nunca mais me ligaram! De certo eu cometi algum pecado grave. Pois bem, no Estado eu ganho na ordem de R$13,00 e nas aulas particulares na ordem de R$32,00. SIM acabei de revelar quanto eu ganho por hora/aula e muitos vão ficar chocados!


Meu Deus, professor doido, expondo o salário na internet! Se acharem muito, podem querer sequestrá-lo, se acharem pouco, será humilhado pela sociedade que confirmará suas suspeitas que professor passa fome!


Realmente, falar o quanto ganha no Brasil é um pecado, e perguntar o salário ofende o entrevistador. Mas nenhuma empresa fica constrangida de cortar um serviço se eu não pagar o boleto, nem comovida quando eu vou na loja e gasto no débito. Alguns educadores financeiros como a Natalia Arcuri chamam isso de "DINHEIROFOBIA", o medo de falar sobre dinheiro, é esse o ponto! Você tem medo de falar sobre dinheiro?


Nós como "pessoas esclarecidas" ou pelo menos é como a sociedade espera que sejamos, deveríamos saber falar abertamente sobre um tema corriqueiro que nos cerca no dia a dia e nos consome mensalmente. Mais do que falar, deveríamos ESTUDAR sobre o dinheiro!


Isso mesmo! ESTUDAR SOBRE DINHEIRO! Parte das classes baixas do nosso país viverem em dívidas é porque lhes falta uma base mínima sobre Educação Financeira. Seria, obviamente, um dever da família mas como tudo nessa vida, a família repassa pra escola, a escola tenta repassar para a família, os parentes não atendem aos telefonemas, mensagens, e-mails e nem aos recados na agenda. Então que tal assumirmos isso para nossa vida, e deixarmos que isso refleta para os alunos?


Por exemplo, não seria bom ouvir desde cedo que "casa própria só é investimento se não for financiada em 30 anos"? Ou até "NÃO PARCELE SE NÃO PUDER PAGAR A VISTA"?


Sim, é cruel falarmos isso quando nós próprios não vivemos essas coisas, afinal, "se não parcelar, o pobre nunca consegue nada na vida" e o professor, como um bom e digno pobre, repassa a desinformação que afundará os jovens em parcelamentos incabíveis, inadimpência, nome sujo e todo o kit que a falta de informação causa.


Por hoje fica aqui essa provocação, ao longo dos trabalhos vou retomar essa pauta para refletirmos sobre nossa trágica condição proletária, afinal, estou no mesmo barco! Mas tentando enxergar uma luz para os jovens conseguirem sobreviver sem a sombra de dívidas e juros compostos CONTRA eles, e tornarem-se, quem sabe, pequenos credores que ganham juros compostos A FAVOR deles!


Texto escrito pelo Profº Gustavo H. Leão de Mello

Comentários

  1. Você falou uma verdade, não falamos sobre dinheiro. E se você pergunta para o GOE quanto é o valor da hora, ele também não vão saber informar, passei por isso. Temos que ter uma educação financeira na escola para quebrar esse círculo vicioso.

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    1. Vou continuar a estimular essas reflexões para começarmos a perder esse medo e com o tempo tirar esse medo dos nossos alunos, quem sabe não mudamos um pouco a sociedade para melhor, não é mesmo? =)

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  2. Bom dia Gustavo, tudo bem? Adorei seu texto. Parabéns pelo assunto e pela escrita. Grande abraço. #tamojunto.

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    1. Obrigado Professora! vou continuar a falar sobre assuntos que tiram-nos da zona de conforto. É importante refletir fora do senso comum e da rotina! Espero que continue acompanhando!

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