Pode formar todo mundo em EAD?
A primeira crítica básica CONTRA é que o ensino EAD é menos profundo, não há a dinâmica real de debater em sala ou oportunidades de aulas mais práticas. Óbvio que isso se aplica a algumas coisas, como por exemplo fazer a TITULAÇÃO de uma solução química. Muito difícil ter todos os aparatos, vidros e produtos químicos em casa para ver online e praticar na sua casa. MAS (porém, contudo, todavia, entretanto, doravante) nas aulas "teóricas" onde o professor fica "queimando slide", o aluno ao invés de ir para a faculdade dormir de maneira desconfortável na cadeira, pode passar a aula dormindo na sua cama, evitando torcicolos!
Sim, foi piada, mas também foi crítica. O ponto do EAD tem dois pilares realmente relevantes. Um é a qualidade do material disponibilizado e a atenção que o aluno recebe em plantões de dúvidas (síncronos ou não) e o outro é a disciplina é a vocação para esse estudo. Digo isso pois já fiz faculdade presencial, faculdade a distância e atualmente faço uma presencial extremamente distante (100km da minha casa).
Na presencial, se eu falto ou chego atrasado, eu PERCO definitivamente o conteúdo. Preciso pegar com colegas depois, nem todos os professores disponibilizam os slides e se ele for um bom professor, o slide nem texto tem! Sim, slide de texto para ler slide é um retrocesso educacional. Nas faculdades presenciais os professores TENTAM (desesperadamente) trabalhar com aula invertida, técnica onde eles dão um texto base para todos os alunos lerem ANTES de ir para a aula. Eu só tive sucesso nesse modelo com UM professor, de "História das Ciências" incrível que vou destacar em um texto específico sobre esse modelo de aula.
Na distância, temos os textos, vídeos disponíveis para REASSISTIR se necessário (mas, como todo o bom aluno, nem há o "assistir", imagine o "REassistir"). Portanto, cabe ao aluno uma DISCIPLINA CONSCIENTE e única, onde ele mesmo se cobra para ter as atividades em dia, realmente se dedicar em ler e assistir tudo com atenção. Logo, o "bom aluno" EAD terá uma base muito melhor do que o "aluno comum" do presencial.
Prática docente. As faculdades possuem modelo de "seminário" para estimular aos alunos a oratória, em ambas haverá o ESTÁGIO em escolas onde uma parte do estágio compreende a PRÁTICA que deveria ser ASSISTIDA por outro professor ou coordenador, mas na prática o estagiário entre como professor eventual não remunerado. CARAMBA, jogou no ventilador mesmo? Pois é, desculpa... Mas tem quem nem vai na escola e só conhece um parente que assina o estágio fantasma. MEU SENHOR! Haja ventilador pra jogar tanta coisa, hein? Eu acho errado, mas não posso julgar.
Para fazer efetivamente o estágio eu precisei esperar um momento de DESEMPREGO, pois meu emprego era integral, e com a faculdade presencial todas as noites, não tinha nenhum momento para fazer as centenas de horas de estágio. Na faculdade EAD isso não ocorre, pode trabalhar de dia e estagiar de noite.
Sobre a prática docente, ela é um aperfeiçoamento constante. Professores com 40 anos de sala de aula continuam se melhorando e se reinventando para melhorar sua prática, então não é de se estranhar que todos nós, salvo quem já teve experiências profissionais anteriores, saia da faculdade "ruim" e isso vá melhorando aos poucos. Claro, SE o professor aceitar o recebimento de críticas dos alunos e uma AUTOCRÍTICA, fundamental para se desenvolver.
PRÓ EAD temos a questão da distância. Nem sempre na sua cidade ou proximidades há o curso dos sonhos. Imagine que o Professor BELTRANO queria estudar Letras mas morava na cidade de CAfUNDÓ DO JUDAS e o curso de Letras mais próximo ficava a 500Km de sua casa. Sem possibilidade de mudar de cidade para estudar pois a mãe necessitava dele para cuidados e seu emprego era alicerce de arrimo para a família, BELTRANO encontrou uma faculdade EAD e pode estudar para futuramente tornar-se um grande professor que mudou a vida de milhares de alunos!
Outro ponto é o CUSTO da faculdade EAD que, em regra geral, permite o aluno estudar com mensalidades bem mais econômicas o que democratiza muito mais o ensino superior.
Vivo isso na atual graduação, "Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental", um curso incrível que SÓ TEM na USP Butantã e eu moro no inteiror do estado. Para assistir a uma noite de aula (das 19 às 22) 3 horas de aula, eu gasto uma hora e meia para ir e outra para voltar. Vou de moto para economizar combustível e pedágios, me dando um gasto diário de 70 reais entre combustível e manutenção da moto (uma revisão de 5 mil km por mês). A faculdade é pública, gratuita e democrática, mas para estudar 5 dias da semana presencialmente eu gasto na ordem de 1500 reais, consumo o dobro de tempo da aula presencial e ainda corro o risco de andar de motocicleta em rodovias e vias principais da capital, de noite. Um acidente ou um assalto (nada incomum na capital) podem acabar não só com meu sonho de estudar como com a minha vida.
Fazemos essas loucuras, como tantos colegas que vivem situações parecidas ou piores, para poder estudar "de graça" mas principalmente porque não há outra alternativa. Jovens pobres de interiores vão ter que comer "o pão que..." para obter uma formação democrática presencial. Ou simplesmente vão desistir de seus sonhos e abandonar a docência.
E aí professoras e professores, quais perrengues passaram para se formar? Quem aí fez EAD e PRESENCIAL, quais suas opiniões de prós e contras? Acham que em um futuro PODEMOS transformar tudo em EAD ou o presencial é realmente melhor e a essência é perdida nas auals gravadas e sem colegas de classe para debater? A formação de docentes é democrática, como tanto lutamos para democratizar toda a educação?
Texto escrito pelo Profº Gustavo H. Leão de Mello
PS: Serve para refletirmos sobre os cursos regularmente a distância, e não para esse período de pandemia, ok?
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